Registro Individual da Conquista das Vias de Escalada no Pico TUCUM (Serra do Ibitiraquire/PR)

Por: Gustavo Castanharo “Tavinho”

Os relatos a seguir contém os detalhes da conquista de cada via de escalada em rocha no Pico Tucum, incluindo um breve resumo dela, o significado do seu nome e o que rolou nas investidas realizadas para sua conquista. Essas vias foram conquistas no período de Julho de 2018 a Setembro de 2019, projeto que denominamos “Projeto Tucum 20 anos”, que pode ser lido com mais detalhes no “Guia de Escalada em Rocha – Pico Tucum” (clique aqui para acessá-lo)”.

Ao total foram 28 investidas para a conclusão do Projeto, em 14 meses de trabalho!

Este texto, que relata o que rolou em cada via conquistada, é um pouco diferente do publicado neste site no dia 27/06, com nome Histórico das Conquistas das Vias de Escalada no Pico TUCUM,  que relata cronologicamente (dia a dia) as conquistas das Vias do Tucum.

Antes de ler estes registros, sugiro a leitura do capítulo “6- Um pouco da história do Projeto Tucum 20 anos”, constante no Guia supracitado.

Empresas que apoiaram o “PROJETO TUCUM 20 ANOS”:

– BONIER Equipamentos: bonier.com.br
– Loja ALTA MONTANHA: lojaam.com.br
– Ginásio de Escalada CAMPO BASE: campobase.esp.br
– MARUMBY Montanhismo: marumby.tur.br
– SPYFFER Sapatilhas de Escalada: instagram.com/spyffersapatilhas
– TATTU Ressolas: instagram.com/tatturessolas
– ALTO ESTILO Equipamentos de Escalada: altoestilo.com
– MUNDO VERTICAL Trabalhos e Soluções em Altura: mvertical.com.br
– CAVERNA Ginásio de Escalada: cavernaescalada.com.br
– QUATRO VENTOS Equipamentos de Escalada: instagram.com/quatroventoss
– POLE CLIMB Studio de Pole Dance e Sala de Boulder: instagram.com/poleclimb
– SERALTS Soluções em Altura: seralts.com.br
– Desafio PURO MONTANHISMO: desafiopuromontanhismo.com.br
– ARIENTI Equipamentos: instagram.com/arientiequipamentos
– CALANGO Expedições: calangoexpedicoes.com.br
– MUNDO VERTICAL Escalada e Montanhismo: mundovertical.com
– TRAD FRIENDS: TradFriends.com
– GR TRAVEL GROUPS Agência de Viagens: grtravelgroups.com.br

Via 01 – Portal de Entrada

Graduação: 7a (A0/VIIc) E2 132m

Na minha opinião uma das mais belas vias do Tucum, e certamente a mais exigente de todas que conquistamos. O melhor é guiá-la em esticões curtos (considerando que todas as nossas vias possuem parada dupla a no máximo cada 30m), parando a cada parada dupla instalada, evitando assim atrito na corda que irá ocorrer se guiar 2 esticões curtos (de 30m) direto, para fazer esticões de quase 60m cada. Mas claro que fica a critério do freguês! Do final da via é possível sair caminhando para o Cume!

O 1º esticão tem 25m e se inicia em uma chapeleta batida em uma altura que se alcança do solo com a mão, para que o assegurador possa entrar em auto nela, pois a base dessa via tem vegetação frágil. Graduação em média de 4º grau com um crux estimado em 6º no final. O 2º esticão tem 28m, o qual começa a apimentar a via, já iniciando com um lance que deve ser um 7a, e mais acima cruza para a direita para uma outra parede, onde segue por agarras pequenas em uma sequência longa variando em 6ºsup e 7a constante até a P2 (2ª parada), que é uma parada mais aérea. O 3º esticão também com 28m inicia tendendo a esquerda, em um lance de 7a, o qual passa por 2 buracos na rocha, e depois entra em uma sequência vertical e quase sem agarras que pode ser feito em A0 ou em livre estimando em 7c. O 4º esticão também com 28m tende a direita e mais acima após subir por uma “língua de rocha” vai cruzar uma canaleta de mato e passar para a parede da direita e chegar até um grande platô, com a P4, onde mais a direita tem uma parada da via “O Retorno do Chupa Cabra”. Deste ponto é um esticão de 2º grau com 23m sem proteção até a P5. Da P5 pode-se sair caminhando em direção ao cume.

O nome da via “Portal de Entrada” foi dado pelo motivo de que era a primeira via encontrada ao realizar a caminhada até os setores de escalada do Tucum. Após a conclusão do nosso projeto, outra via, um pouco antes dela, foi conquistada por outros amigos, a via “Por Dentro é Mais Gostoso”, que está detalhada no Guia do Tucum.

A seguir detalho quais as investidas do “Projeto Tucum 20 Anos” foram realizadas para a conquista desta via:

4ª investida em 19/08/2018 (Domingo) – Eu e Canidia conquistamos 2 esticões de 25 e 28m, respectivamente, sendo que o primeiro esticão usamos 4 chapeletas PinGo da Bonier Equipamentos mais uma parada dupla instalada com 1 chapeleta Dupla, também da Bonier Equipamentos, e 1 PinGo (grau geral 4º com crux de 6º). No segundo esticão usamos 7 PinGo (sendo que durante a conquista, após a 4ª proteção eu segui reto e a linha não teria boa continuidade, então fiz uma transversal a direita até chegar a uma outra parede, mas uma queda dali seria complicada, então, no rapel deste dia instalamos mais 1 PinGo que é uma variante mais por baixo após a 4ª chapa, portanto nesse trecho há 2 possibilidades para guiar). Aos 28m instalamos mais a parada dupla com 1 Dupla e 1 PinGo (PinGo esta que foi trocada por 1 dupla na investida seguinte). Esse esticão tem vários lances de 6ºsup e 7a.

15ª investida em 10/02/2019 (Domingo) – Eu e Canidia decidimos retomar a conquista da primeira via por nós iniciada no Tucum. Escalamos os 2 primeiros esticões anteriormente conquistados, chegando ao trecho mais vertical da via que paramos na última vez. Trocamos uma chapeleta PinGo da 2ª parada que estava com 1 Dupla e 1 PinGo, deixando essa parada que é mais aérea com 2 chapeletas Duplas. No 3º esticão a minha ideia era seguir reto a partir da parada, mas a parede era quase vertical e sem agarras. Percebi isso quando consegui subir um pouco acima da parada e bater uma chapeleta e de lá analisar melhor a linha. Visualizei uma linha saindo da parada para a esquerda usando 2 buracos na rocha, então a chapeleta que eu havia batido ficou muito a direita da linha. Esse trecho foi estimado em 7a e após dominar os buracos que são abaulados a parede novamente ficou lisa. Mais acima vi algumas agarras, então resolvi transpor aquele trecho liso em artificial (bati 2 chapas em sequência até ver uma agarra mais ou menos) e aí consegui ficar parado nela com o pé na chapa debaixo e bater mais uma chapeleta. Essa sequência eu isolei os movimentos depois com corda de cima e estimamos em um crux de 7c ou mais na sequência (o que eu validei em uma repetição meses após e ainda acho que seja). A via foi finalizada com mais 2 esticões mais fáceis, totalizando 132m de escalada.

28ª investida em 29/09/2019 (Domingo) – Eu, Cover e Juliano Santos repetimos a via, e nessa repetição eu troquei de posição a primeira chapa do 3º esticão, colocando-a mais para a esquerda, para melhor posicionamento da guiada, conforme citado acima.

Via 02 – Cartão Postal 

Graduação: 5º VIsup E2 93m

Uma via bem técnica, com sequências de lances delicados. Após a primeira parada da via, se houver mais escaladores na via imediatamente a direita, a via “O Retorno do Chupa Cabra”, que possam tirar uma foto do escalador nesta via, a foto ficará um verdadeiro “Cartão Postal” com o Pico Paraná de fundo. Do final da via é possível sair caminhando para o Cume!

O nome da via “Cartão Postal” foi dado pois é uma via que durante toda sua escalada tem-se visão para o Pico Paraná, e como citado acima, uma foto tirada da via ao lado fica um verdadeiro “Cartão Postal”.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

5ª investida em 15/09/2018 (Sábado) – Eu e meu irmão, o “Cover”, iniciamos a conquista dessa via no setor “Vista para o PP”, que foi interrompida por uma forte garoa. Batemos as 4 primeiras PinGo (sendo a primeira comum a corda fixa de acesso ao setor, que futuramente trocada por 1 dupla – todas as cordas fixas de acesso aos setores (cordas usadas) foram doadas pelo Ginásio de Escalada CAMPO BASE). Com a chuva caindo, continuamos “trabalhando” naquele dia abrindo a trilha para os setores debaixo.

24ª investida em 05/05/2019 (Domingo) – Eu e nosso amigo de longa data, Silvio Calimã, continuamos a conquista nesta data. Escalei as primeiras 4 chapas da via (contando com a da base, que está fixando uma corda fixa e serve para o Seg entrar em auto para evitar a erosão da base) e segui colocando mais 2 até chegar a um platô na base de uma parede mais inclinada, instalando uma parada dupla. Abaixo, entre a 3ª e 4º chapas já batidas na investida anterior, o lance ficou exposto, pois ao estar costurando na 4º chapa, em caso de queda, talvez iria para o chão, onde no rapel desse dia colocamos uma chapeleta intermediária. Silvio veio de segundo, concluindo que o esticão era um 5º grau, exceto um trecho que havíamos feito por um mato, mas depois fizemos novamente o lance pela rocha e deu um 6º sup, totalizando 30 metros o 1º esticão. O 2º esticão segue a direita pela parede ao lado e depois reto até chegar a um pequeno platô, de onde segue mais pela direita novamente, trechos variando os tipos de lances com agarra, aderência, lacas, o qual deu 26 metros, com 6 chapas, e um crux de 5º sup, com uma parada dupla instalada em uma região um pouco aérea. No 3º esticão eu bati uma chapa um pouco acima e logo cheguei ao grande platô onde há 2 paradas, a da via “Portal de Entrada” mais a esquerda, e a da “O Retorno do Chupa Cabra” mais a direita. Costurei como segunda proteção desse esticão na parada da “Portal de Entrada” e estiquei o último trecho que é fácil e coincidente com a da “Portal de Entrada”, até chegar na parada final, que é conjunta das 3 vias citadas, em um total de 37 metros (portanto, se fizer rapel pela “Cartão Postal” com somente 1 corda de 60m, terá que parar no grande platô durante o primeiro rapel, na parada dupla da “Portal de Entrada” – usada como segunda proteção no último esticão – e fazer um rapel mais curto até a P2 da “Cartão Postal”).

Via 03 O Retorno do Chupa Cabra 

Graduação: 6º VIIa E2 84m

Via com início esportivo, com um lance bem protegido estilo boulder, e depois segue em lances de no máximo 5º grau, com 1 crux de 6º grau no segundo esticão. A parada final da via é compartilhada com as vias “Portal de Entrada” e “Cartão Postal”. Pode-se sair pelo Cume também! Via legal para ser feita após escalar alguma via do setor mais abaixo dela, o “Setor das Meninas”, do qual a partir do final de suas vias, pode-se sair caminhando até a base desta via e iniciar ela na sequência.

O nome da via “O Retorno do Chupa Cabra” foi dado pois recordamos uma lenda ocorrida nos idos dos anos 90, em que animais de criação em diversas fazendas da região estavam aparecendo mortos, por outro animal desconhecido, mas não sendo identificado o qual era,  e assim nasceu a lenda do “Chupa Cabra”. Com isso, na via tem um detalhe que relembra a lenda, mas que só quem escalar ela vai descobrir!

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

6ª investida em 22/09/2018 (Sábado) – Eu e Canidia iniciamos a conquista do primeiro esticão e colocamos 6 PinGo, com uma saída esportiva com graduação estimada em um 7a. Puxando a corda auxiliar em que a furadeira estava pendurada, para fazer o 5º furo, a furadeira enroscou na costura da corda principal, sacando a 4ª costura. Com isso eu fiquei sem a costura debaixo, a uns 20m do chão, e tinha somente 3 chapas abaixo de mim, sendo que a última dessas estava a uns 10m do solo, então uma queda ali eu iria direto pra o chão. Como eu estava em uma posição confortável, finalizei o furo e instalei a 5ª chapa e então desci para clipar novamente a 4ª costura. O nome da via seria “A costura sacou”, ou algo do gênero, mas futuramente ganhou outro nome, conforme explicado acima.

18ª investida em 23/03/2019 (Sábado) – Eu e Canidia retornamos para finalizar esta via. Na investida anterior não havíamos concluído a 1ª parada, a qual finalizamos neste dia. Conquistamos o 2º esticão, que teve um crux de 5º ou 6º e instalamos a 2ª parada, que fica localizada em um grande platô, que mais a esquerda dele tem uma parada da via “Portal de Entrada”. E o 3º esticão para concluir conquista foi de um 4º grau com de 24m, com 1 chapa intermediária, chegando ao final da via e compartilhando a parada final com 2 vias, já citadas acima, a “Portal de Entrada” e a “O Retorno do Chupa Cabra”.

Via 04 – No Crux sem Bateria 

Graduação: 6º VIsup E2 55m

Via relativamente curta para os padrões Tucum, mas muito bacana e com trechos delicados. Possui um bom visual para as paredes do “Miolo do Tucum”. Atualmente não tem saída pelo cume, exceto se fizer uma transposição para a parede da esquerda após seu final e entrar na via “O Retorno do Chupa Cabra”. Via legal para ser feita após escalar alguma via do setor mais abaixo dela, o “Setor das Meninas”, do qual a partir do final de suas vias, pode-se sair caminhando até a base desta via e iniciar ela na sequência.

O nome da via “No Crux sem Bateria” foi dado pelo motivo de que durante a realização do furo para fixar a 6ª chapeleta da via, onde era o crux (trecho mais difícil) do esticão, talvez um 5ºsup/6º grau, eu estava em uma posição ruim quando a bateria da furadeira acabou na metade do furo, deixando-me em uma situação complicada, mas consegui colocar um cliff de furo no buraco que havia sido interrompido pela falta de bateria e consegui descansar um pouco pendurado no cliff e pensar o que fazer. Desescalar com a furadeira presa na cadeirinha não seria legal caso tomasse uma queda, e desescalar o lance também com a furadeira pesada e pendurada não era bom, então visualizei umas agarras para fazer um lance lateral para a direita em direção a uma canaleta de mato, a uns 3 metros de mim, por onde consegui desescalar um pouco, momento que fui atacado por formigões que estavam naqueles matos. Levei algumas mordidas, mas conseguir descer pela canaleta até ficar horizontalmente com a corda para a esquerda na costura debaixo e pendular, sem maiores problemas.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

6ª investida em 22/09/2018 (Sábado) – Eu e Canidia iniciamos a conquista instalando 7 PinGo mais uma parada dupla com 2 Duplas, total de 9 furos. Esse esticão tem um crux de um 6º sup na última chapa. Esticão com lances constantes de 5º e 6º grau.

14ª investida em 27/01/2019 (Domingo) – Eu e Canidia terminamos a via, com a conquista do 2º esticão, com 4 PinGo mais 1 parada Dupla em um bloco de pedra ao final da rampa, que ficou escondida atrás de uma bela arvorezinha, haja vista que ao redor a rocha não estava boa. Esse esticão tem um lance de 6º sup já na primeira chapa e depois fica mais fácil, com 1 crux de um 5º grau mais acima. Pode-se acessar à esquerda a via “O Retorno do Chupa Cabra” para sair para o cume. Talvez no futuro essa via ganhe mais um esticão para ter saída própria para o Cume.

Via 05 – Soraiapampa

Graduação: 5º VIIa E2 75m

Via com início mais exigente e que tem ao final dela uma virada pela lateral de um tetinho bem interessante. Dentre as vias do Setor das Meninas é a mais exigente.

O nome da via “Soraiapampa” foi dado pelo meu irmão, conquistador dela, em homenagem a sua esposa, a Soraia, e “pampa”, no dialeto andino “Quechua”, significa “campo”, e que carinhosamente entre eles complementam os respectivos nomes com esse termo “pampa”.

A seguir detalho a investida realizada para a conquista desta via:

23ª investida em 01/05/2019 (Quarta-feira) – Cover e Maicon conquistaram essa nova via que não estava inicialmente em nossos planos e que é a via mais a esquerda do “Setor das Meninas”, que se inicia ao final da corda fixa em sistema de “varal” da trilha que liga os setores “Portal de Entrada” e “Das Meninas”, iniciando no platô acima da última chapeleta desta corda fixa. Desse platô, onde tem a primeira chapa da via, chega-se a um próximo platô com uma chapa, onde tem o primeiro crux da via, estimado em 7a. A via segue delicada com um crux mais acima de um 6ºsup (onde eu bati mais uma chapa, entre a 4ª e 5ª originais, reduzindo a exposição, no dia 27/05/19). A primeira parada dupla fica a aproximadamente 28 metros. Após a primeira chapa do segundo esticão havia um lance delicado bem esticado, onde eu também  coloquei em 27/05/19 outra chapa reduzindo a exposição (entre a 1ª chapa e a 2ª originais) e esse esticão segue com 5 chapas até a parada dupla em um platô na base do tetinho. Pode-se guiar esses 2 esticões direto, totalizando 55m. Desta parada, a saída é pela esquerda com os pés em uma fenda, lance delicado, até alcançar a 1ª chapa e virar o tetinho onde logo acima tem a segunda chapa, e mais acima a última parada a 20 metros, totalizando 75 metros de escalada. Neste dia o tempo estava para chuva, então a conquista foi apressada, e ao final do rapel começou a chover leve, mas antes de molhar o equipamento conseguiram guardar tudo e logo a chuva passou.

Via 06 – Lilipampa

Graduação: 4º V E2 83m

Talvez a via mais fácil do “Setor das Meninas”, com uma graduação geral de 4º grau, com 2 crux de 5º grau no primeiro esticão. Da última parada da via pode-se sair caminhando e chegar até o setor mais acima, o “Setor Vista para o PP”, e emendar a escalada em alguma das vias daquele setor, como as vias “No Crux sem Bateria”, “O Retorno do Chupa Cabra”, ou mesmo a “Cartão Postal”.

O nome da via “Lilipampa” foi dado pelo meu irmão, em homenagem a sua filha Livia, a Lili, que na época da conquista tinha 4 anos de idade, e “pampa”, no dialeto andino “Quechua”, significa “campo”, e que carinhosamente entre eles complementam os respectivos nomes com esse termo “pampa”.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

12ª investida em 09/12/2018 (Domingo) – Eu, Canidia e Cover iniciamos a conquista com o 1º esticão curto de 29m, com um crux de 5º grau. Como tínhamos a ideia de mais vias no setor, no dia iniciamos a conquista de outras linhas.

13ª investida em 09/01/2019 – Quarta – Eu e Cover concluímos a via, com mais 2 esticões conquistados, 1 de 26m e outro de 28m, em um total de 3, totalizando 83 metros de escalada em um grau geral de 4º grau com alguns crux de 5º grau. Nesse dia também concluímos a via Lolô.

28ª investida em 29/09/2019 (Domingo) – Eu e Cover, após irmos para repetir outras vias nossas e não só “trabalhar” conquistando vias, tínhamos uma pendência nessa via, então rapelamos ela, pois estávamos escalando no setor acima dela, o “Setor Vista para o PP”, e colocamos mais um chapa no 2º esticão, onde havia ficado um trecho exposto, exposto mas fácil, mas para deixar as vias mais seguras, pois era a nossa “política” de conquistas das vias na região, e era um trecho que se o guia caísse por uma bobeira qualquer poderia se machucar.

Via 07 Morgana 

Graduação: 5º VIIa E2 58m

Via com um início delicado, em microagarras e algumas ainda quebram, e posteriormente uma sequência mais fácil, com uma graduação geral de 4º grau, com o crux de 7a já no início da via e um crux de 5º grau no 2º esticão. A via termina na P2 da via Lolô, comentada adiante.

O nome da via “Morgana” foi dado em homenagem a filha do Canidia, que na época da conquista tinha 16 anos de idade.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

12ª investida em 09/12/2018 (Domingo) – Eu, Cover e Canidia batemos a 1ª PinGo na base da via do meio do setor “Das Meninas”, aproveitando a última carga que sobrou das baterias, após a conquista das vias Lolô e Lilipampa.

25ª investida em 25/05/2019 (Sábado) – Eu, Canidia, Maicon Kaeber e Josman De Marchi Alves finalizamos a conquista que seria no momento a última via do “Projeto Tucum 20 anos” (mas acabou não sendo a última!). Após a 1ª chapa já batida em investida anterior, no início da via, foram batidas mais 4 chapeletas, até chegar a parada dupla a 28m. O início da via está estimado em 7a, um lance bem delicado e microagarras, e 5º grau na sequência, e depois 4º grau. No início do 2º esticão, após a primeira chapa, um crux de 5º grau, com um total de 3 chapas até finalizar na 1º parada da via Lolô, antes do último esticão de 30m daquela via. Esta via se pode escalar em um esticão único de 58 metros. Após isso é possível rapelar ou emendar no 3º esticão da via Lolô e escalar mais um pouco.

Via 08 Lolô 

Graduação: 5º Vsup E2 90m

Via relativamente fácil, mas com um início constante em 5º grau, e no 3º e último esticão dela tem lances muito legais e um início delicado. Após sair da P2, o escalador deve subir em uma laca, costurar, e de lá iniciar uma sequência de agarras pequenas e delicadas, graduado em 5º sup. Da última parada da via pode-se sair caminhando e chegar até o setor mais acima, o “Setor Vista para o PP”, e emendar a escalada em alguma das vias daquele setor, como as vias “No Crux sem Bateria”, “O Retorno do Chupa Cabra”, ou mesmo a “Cartão Postal”.

O nome da via “Lolô” foi dado em homenagem a minha filha, que na época das conquistas ainda estava na barriga da mamãe. A ideia inicial para as vias do “Setor Das Meninas” eram somente 3 vias, 1 em homenagem para cada filha dos 3 principais conquistadores das vias do “Projeto Tucum 20 anos”, eu, meu irmão “Cover” e o nosso amigo Canidia. Posteriormente outra linha atrativa foi aberta e nomeada como “Soraiapampa”.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

12ª investida em 09/12/2018 (Domingo) – Eu, Canidia e Cover iniciamos o 1º esticão com 30m, com um crux de 5º sup. Era quase verão, temporada de montanha já tinha acabado há meses, mas estávamos lá, com muito calor, mosquitos e butucas. Apesar disso, fomos compensados pela florada de umas flores vermelhas, que não sei o nome, mas há muitas na região e ao longo das paredes, suspensas nos platôs de mato.

13ª investida em 09/01/2019 (Quarta-feira) – Eu e Cover concluímos a via, com mais 2 esticões conquistados, em um total de 3, totalizando 90 metros de escalada em um grau geral de 5º grau. No terceiro esticão um trecho ficou muito exposto, e no rapel fizemos um furo, mas como as chapeletas PinGo tinham acabado deixamos para fixar na próxima vez. A última parada também ficou com somente 1 chapa dupla, pois o material tinha acabado, sendo que na próxima vez teríamos que voltar nela para colocar esse segundo ponto na parada.

18ª investida em 24/03/2019 (Sábado) – Após eu e o Canidia termos finalizado a conquista da via “O Retorno do Chupa Cabra”, eu acessei a última parada da via Lolô por cima, a partir do setor “Vista para o PP”, onde tinha somente 1 chapeleta dupla. Bati mais 1 dupla, duplicando a parada. Montei um rapel e desci até o trecho do seu 3º esticão que eu tinha feito 1 furo na investida anterior, mas não tinha mais chapas no dia, fixando 1 PinGo no trecho que faltou.

Via 09 – Idade Gestacional 

Graduação: 5º VSup E3 167m

Bela via, que galga inicialmente quase 90 metros em uma parede limpa, e ao final dela cruza um pequeno trecho de mato até chegar a base de uma enorme fratura na montanha, que separa esta parede debaixo de um enorme paredão branco, que denominamos de “Miolo do Tucum”. Após essa fratura, a via passa por um micro teto, e adentra no miolo do Tucum, esticando mais quase 80 metros em lances delicados e um pouco mais esticados. Pode-se sair pelo cume a partir da última parada, com cautela.

O nome da via “Idade Gestacional” foi dado por coincidir com o período de uma gestação humana, pois quando cheguei a primeira vez ao setor, em julho de 2018, visualizei essa linda parede e a via já estava em mente, mas demorou até março de 2019, 8 meses para efetivamente entrar nela, e que foi concluída em 30 de Março de 2019, fechando 8 meses e alguns dias desde a ideia inicial.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

19ª investida em 24/03/2019 (Domingo) – Eu, Cover e Maicon conquistamos quase 4 esticões de no máximo 30m, sendo que no último furo a bateria acabou e foi batido um parabolt pela metade somente para poder descer até a chapa anterior. O 1º esticão rendeu 27 metros, o segundo 25, o terceiro que chega na base do tetinho fechou em 29 metros, e o 4º tinha fechado em 30, mas com o bolt colocado pela metade e abandonamos a conquista nesse ponto por falta de bateria.

20ª investida em 30/03/2019 (Sábado) – Nesta investida eu não pude ir, pois a Lolô estava para nascer, então meu irmão e Maicon foram para tentar terminar a via, escalaram até o trecho concluído na investida anterior e retiraram o bolt que ficou pela metade, batendo uma proteção um pouco abaixo, para reduzir o esticão que havia ficado, e mais acima, bateram uma parada com 33 metros nesse esticão, mais confortável com os pés em um agarrão. Portanto este esticão não poderia ser rapelado com somente 1 corda de 60m, então eles bateram uma chapeleta ao lado da 2ª chapa desse esticão, uns 5m acima do tetinho, para poder fazer a troca de corda e rapelar mais esses 5m até a parada abaixo do tetinho. O 5º esticão iniciado nesse dia rendeu 28 metros, e o 6º e último, 25 metros, com crux de 5º e 5º sup, totalizando 167 metros de via. Nos 2 últimos esticões normalmente pode haver trechos com água escorrendo, oriunda do acúmulo de água nos campos da região do cume do Tucum.

Via 10 Arestona

Graduação: 4º VIsup E3 288m

Uma das mais belas vias do Tucum, em minha opinião, empatando com a “Portal de Entrada”. Inicia logo após as cordas fixas em sistema tipo “varal”, que cruzam as rampas inferiores do Tucum, a partir do “Setor Das Meninas” para se chegar a base do “Setor Super Rampas”. A via inicia por uma aresta, por uns 50 metros fáceis, e depois tende a direita e segue contornando uns trechos de mato, e mais acima cruza um trecho de mato um pouco maior, em transversal a esquerda, até chegar a um platô, na base de uma linda parede quase vertical, onde se inicia uma sequência de mais 60m escalando em sólidas agarras. Após isso, chegasse a uma parada dupla, um pouco abaixo de um bom platô mais a direita, que tem uma arvorezinha e a primeira chapa do esticão seguinte, para a qual pode ser transferida a parada caso ache mais confortável, mas com somente 1 chapa. Nesse ponto se inicia o propriamente dito “Arestão”, no qual a via segue por lances delicados até chegar em uma parada dupla logo acima da “via do Tetinho”, e após isso, a linha segue pela grande aresta do Arestão. Após a última parada, já em uma região suave próxima ao cume, em meio a vários blocos de pedra, pode-se sair caminhando em direção ao cume, e também essa via pode ser usada como via de rapel para acesso aos setores abaixo, especialmente para escalar as vias/variantes  do “Setor Arestão”.

O nome da via “Arestona” foi dado pois a via percorre tanto em seu início e especialmente em seu final trechos literalmente em arestas da rocha.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

12ª investida em 09/12/2018 (Domingo) – Eu, Cover e Canidia iniciamos o 1º esticão com 33m, de um 3º grau, ao final do dia, com a sobra de bateria, após termos iniciado a conquista das vias Lilipampa e Lolô.

15ª investida em 24/02/2018 (Domingo) – Eu e Cover continuamos a partir do 2º esticão, este com 27m em diagonal a direita, em uma média de 4º grau, o 3º com 25m de um 4º sup, terminando antes de um trecho de mato. O 4º esticão iniciou cruzando um trecho de uns 3 metros com mato, com 1 chapa após ele, e aos 31m uma parada dupla, em um trecho de 3º grau. O 5º esticão inicia em uma diagonal a esquerda, cruza um curto mato de pouco mais de 1 metro, entra em um trecho pequeno de rocha com mais 1 chapa, e uns 2 metros acima dela, cruzar para a esquerda pelo mato até chegar a um platô, na base da grande parede limpa, o “Miolo do Tucum”, fechando 26 metros com lances de 4º grau. A partir desse trecho conquistamos o 6º e 7º esticão, sendo um 4º sup / 5º constante, com 33 e 28 metros respectivamente, chegando pouco antes de um platô, onde se inicia o trecho propriamente dito do “Arestão”, trecho que tem uma grande aresta na parte superior das paredes. No início dessa aresta batemos a última chapa que a bateria permitiu, que seria o início do 8º esticão a ser conquistado futuramente. Totalizamos neste dia mais ou menos 170 metros de via, mais o primeiro esticão de 33m anteriormente conquistado, fechando em 200 metros de via iniciada.

21ª investida em 13/04/2019 (Sábado) – Maicon que ainda não tinha escalado essa via guiou toda ela até chegarmos na última chapa batida, já no 8º esticão, mas fizemos em 4 esticões, sendo 2 esticões de 60m, mais um curto de menos de 30m, e outro longo de 60, até a última parada instalada. Eu subi jumareando com a mochila pesada com todo equipo de conquista e todo material do Maicon, pois a ideia era sair pelo cume após finalizar a conquista, e descer pela trilha de acesso, sem rapelar toda a via, para guardar os equipos em nosso barril. Nos mudamos até a próxima chapa, que fica em um confortável platô, que é a primeira chapa do próximo esticão, o qual iniciaríamos a conquista. Descontamos a metragem de corda da parada abaixo até esta chapa para não passarmos de 30m no esticão. Organizamos o equipo de conquista e eu iniciei pela aresta, que ficou alucinante, um crux de 6sup, e uma parada dupla na borda da aresta, aonde chega a via / variante da “do Tetinho”, ou “Broca Incandescente”. Estiquei mais 30m, ainda pela borda da aresta, em um trecho com o paredão da aresta abaixo, com uma passagem de um 6º grau, e uma parada dupla. Um dos trechos mais espetaculares da via. Acima disso, a parede ficou pouco inclinada, finalizando com um esticão de 27 metros sem chapeleta intermediária, de um 2º/3º grau, seguindo meio a blocos de pedra até a última parada dupla, quase no cume. Finalizamos a segunda maior via do Tucum do nosso projeto, com 288 metros.

Via 11 – Dez Anos Depois (Super Rampa) 

Graduação: 4º IVsup E3 305m

Esta foi a via que deu origem a todo o nosso projeto. Era um sonho para nós escalar aquela parede desde os idos dos anos 90. Uma via fácil, ideal para escaladores menos experientes treinarem para escalar grandes paredes. Inicialmente são escalados quase 200m em uma limpa parede com graduação de no máximo 4º grau. Após isso, a via cruza um trecho mesclando rocha e mato, e faz uma transversal por uma trilha de uns 20m a esquerda, até encontrar uma nova linha de rocha, que segue até a última parada da via, podendo sair pelo cume. É uma ótima sugestão para iniciar a escalada no meio da tarde, levando todo o material nas mochilas, após escalar outras vias na montanha, e aproveitando ela para ir embora pelo cume, não precisando retornar pela trilha de acesso aos setores.

O nome da via “Dez Anos Depois” foi dado pois no ano de 2008 havíamos feito uma investida com abertura de uma trilha para tentar escalar essa rota, sem êxito, sendo que retornamos para a região exatamente 10 anos depois, com a conclusão efetiva da conquista (2008 – 2018).

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

8ª investida em 20/10/2018 (Sábado) – Eu e Cover batemos com chuva as 2 primeiras PinGo no início da Super Rampa, ainda no trecho fácil, que mesmo molhado conseguimos escalar sem proteção. Nesse dia a previsão do tempo era ruim mesmo, e tínhamos ido somente com o objetivo de instalar cordas fixas nos acessos aos setores.

9ª investida em 28/10/2018 (Domingo) – Neste dia nem eu nem o Canidia podíamos ir, eu estava trabalhando como mesário para a Justiça Eleitoral, era o 2º turno das eleições presidenciais de 2018, então o Cover conquistou em solitário 3 esticões curtos de 30m, batendo no 1º esticão, que já tinha 2 chapas, uma parada a 30m com 2 PinGo. No 2º esticão bateu 1 PinGo intermediária com uma parada dupla já aos 60m, com 2 PinGo, e o 3º esticão com 2 PinGo intermediárias e uma parada dupla com 1 PinGo e 1 Dupla nos 90m de via.

10ª investida em 16/11/2018 (Sexta-feira) – Eu, Canidia e Cover conquistamos mais 4 esticões curtos a partir de onde havia parado a investida anterior, e de lá conquistamos mais 2 esticões curtos após a entrada no trecho de mato, até chegarmos na base do Arestão.

11ª investida em 17/11/2018 (Sábado) – Eu e Cover finalizamos da conquista da via, terminando por uma rota que ficou denominada como a “Variante da Conquista”, e o final oficial da via foi terminado por cima pela linha dos 2 primeiros rapéis curtos em sequência que fizemos para descer naquele dia até encontrar a atual parada intermediaria entre a P5 e P6 do croqui. Enfim, o objetivo principal do projeto havia sido concluído com sucesso. Mal sabíamos que naquele mês de novembro ainda estávamos longe de terminar nosso Projeto, que a cada investida, visualizámos possíveis novas vias a serem conquistadas.

Via 12 – Broca Incandescente (Via do Tetinho) 

Graduação: 5º E2 28m

É uma variante da via “Dez Anos Depois”. A sugestão para escalar esta via é de que em uma outra oportunidade de escaladas no Tucum, repita a via “Dez Anos Depois” mesmo já tendo feito ela, até a P5 do seu croqui, e de lá terminar por essa variante, que emenda no final da via “Arestona”, escalando também a parte final da “cereja do bolo” da “Arestona”, que é o trecho na borda do Arestão. Ou ainda, acessá-la pelo cume, rapelando a via “Dez Anos Depois” da P7 até a P5, ou mesmo rapelando a via “Arestona”, podendo ainda, no mesmo dia, repetir as variantes “Lacas do Socorro” e “Variante da Conquista”, e também, a via/variante “A Laçada do Pirocão”, já que todas estas partem mais ou menos da região da P5 da via “Dez Anos Depois”.

O nome da via “Broca Incandescente” foi dado pois durante a furação para instalar a primeira chapeleta da via, de tão dura que a rocha era a ponta da broca ficou avermelhada de calor. A via também é chamada de via do Tetinho, pois ao final dela tem um recorte na rocha formando um pequeno teto de pedra.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

10ª investida em 16/11/2018 (Domingo) – Durante a conquista da Via “Dez Anos Depois” (Super Rampa) eu cheguei a base da Via do Tetinho (até então uma possível variante da “Dez Anos Depois”), linha que de baixo das rampas já havíamos identificado, pois o tetinho que tem nela é destacado naquele trecho. Nesse dia fixei 1 chapa mais a esquerda da P5 da via “Dez Anos Depois”, para realizar uma transversal delicada para alcançar a base do Arestão, abaixo do tetinho, e iniciei um furo na base do Arestão, o qual não consegui terminar, pois a bateria da furadeira estava acabando e a rocha era muito dura, com isso a broca ficou avermelhada de calor, portanto, ficando a conclusão da conquista efetiva para outra oportunidade.

22ª investida em 27/04/2019 (Sábado) – Eu, Cover, Canidia e Maicon escalamos a via “Dez Anos Depois” até a transversal de mato, chegando a P5, de onde se iniciaria a via “Broca Incandescente”. Escalei até a base da parede dessa via, onde havia iniciado o furo na última vez, cruzando a rampa que estava molhada, onde tem uma chapa, até chegar ao furo e finalizar a segunda proteção da via (primeira chapa na parede do Arestão). Subi por uma sequência de regletes, em um 5º grau estimado, até chegar a borda do tetinho, colocando 2 chapas, e nele pretendia usar peças móveis para escalá-lo, mas em somente 1 ponto cabia uma peça, e então visualizei uma linha saindo pela esquerda dele, por onde segui, chegando até uma parada da via “Arestona”, já acima da aresta, não usando peça móvel. Na sequência veio o Canidia, e depois em outra cordada o Maicon e meu irmão. Eles ainda experimentaram com corda de cima o esticão da borda da “Arestona”, e depois continuamos pela via “Arestona” até a próxima parada (penúltima daquela via), onde nos reunimos e iniciamos o rapel com 2 cordas de 60m para a base da transversal de mato (P5 da “Dez Anos Depois”), pois rapelar do final da via conquistada seria complicado para chegar até as mochilas. Durante o rapel visualizamos uma possível linha, que se tornaria momentos depois a Via/Variante “Lacas do Socorro”. Após a conquista dessa variante, durante o rapel da “Dez Anos Depois”, pegamos um temporal e nos encharcamos inteiros. Tivemos que levar todo material embora para secar. Resolvemos não retornar pela trilha de acesso normal dos Setores, e sim voltar pelo Camapuã desde a base das paredes, de onde eu e o Canidia tínhamos vindo na primeira investida de reconhecimento, mas no sentido contrário.

Via 13 – Lacas do Socorro

Graduação: 7a E2 40m

É também uma variante da via “Dez Anos Depois”. Após a P5 da via “Dez Anos Depois” escalar até a 2ª chapa acima, e dela, sair a esquerda até encostar na parede do Arestão, onde facilmente visualiza-se uma bela laca em oposição. A variante sobe pela laca, com um lance final bem protegido estimado em 7º grau. Ver a sugestão para escalar ela comentada no texto da via anterior.

O nome da via “Lacas do Socorro” será explicado adiante.

A seguir detalho a investida realizada para a conquista desta via:

22ª investida em 27/04/2019 (Sábado) – Após termos finalizado a conquista da via/variante “Broca Incandescente”, no rapel pela borda do “Arestão” até a transversal de mato da via “Dez Anos Depois”, onde havíamos deixado as mochilas, visualizamos uma linha em uma bela laca, e resolvi conquistar de Top Rope / Corda de Cima, então seria a única via do setor conquistada de cima, e não de baixo como todas as demais. Resolvi escalar com a corda passada direto nas chapeletas da parada, sem equalização. No entanto, ao rapelar, as cordas ficaram cruzadas na borda do “Arestão” e chegou um certo momento que a corda não subia nem descia, então eu fiquei travado no meio da parede. Maicon e meu irmão tiveram que guiar o final da “Dez Anos Depois”, sair por cima e descer até a última parada da “Arestona”, fazendo o primeiro rapel dela até chegar a parada onde estava passada a minha corda, descruzando ela e me liberando para terminar a conquista. Ficou uma linda variante da “Dez Anos Depois”, que segue um trecho em uma laca de oposição, e face ao ocorrido, o nome da via ficou “Lacas do Socorro”. Após o final da laca tem um lance mais difícil, estimado em 7ª. As 2 chapas finais dela são coincidentes com as da via “Arestona”, terminando na penúltima parada daquela via.

Via 14 – Variante da Conquista

Graduação: 6ºsup E2 40m

Esta linha na verdade foi por onde terminamos a conquista da via “Dez Anos Depois”, mas como já citado no texto explicativo dela, esse trecho acabou se tornando uma variante dela. A partir da parada intermediária entre a P5 e a P6 da via “Dez Anos Depois” escalar pelo mato tendendo a esquerda até uma linha de agarras ao final do “Arestão”, onde tem uma chapeleta na base da parede vertical de agarras. Essa parede final é curta, deve ter menos de 10m. Nesse início vertical tem um lance um pouco estranho de leitura, principalmente para escaladores mais baixos, sendo sugerido um grau de 6º ou 6º sup. Subir por essa linha de agarras até uma 2ª chapa, e de lá chegar ao cume, onde tem uma chapa dupla no chão (não fazer parada nela, pois a rocha é ruim na região), e caminhar sentido Pico Paraná mais uns 10m pelos blocos até encontrar uma parada dupla, que é a última parada da via “Arestona”. Ver a sugestão comentada no texto da via 13 para repetição desta variante.

O nome da via “Variante da Conquista” também é explicado adiante.

A seguir detalho a investida realizada para a conquista desta via:

11ª investida em 17/11/2018 (Sábado) – Eu e Cover conquistamos essa rota quando da finalização da conquista da Via “Dez Anos Depois” (Super Rampa), mas como acabou ficando um grau mais elevado do que gostaríamos para que a via “Dez Anos Depois” fosse uma via acessiva à maioria dos escaladores iniciantes, que tem interesse em entrar no mundo das escaladas de aventura, acabamos criando uma outra finalização para a “Super Rampa” e deixamos o final original como uma variante, por este motivo, batizada de “Variante da Conquista”. Não tínhamos finalizado com uma parada, pois a rocha estava podre em cima da aresta, e deixamos para uma próxima investida corrigir o fim desta variante. Essa parada foi instalada em 13/04/2019, durante a 21ª investida do projeto, quando da finalização da via “Arestona”. A “Variante da Conquista” termina nesta parada.

Via 15 – A Laçada do Pirocão

Graduação: 5º Vsup E2 134m

Uma via interessante, que também pode-se sair pelo cume, mas que na verdade é também uma variante da via “Dez Anos Depois. A sugestão para escalar esta via é de que em uma outra oportunidade de escaladas no Tucum, repita a via “Dez Anos Depois” mesmo já tendo feito ela, até a parada intermediária imediatamente acima da P3 do seu croqui, onde essa variante inicia, usando ainda a próxima chapa após a citada parada intermediária e dela seguindo reto e então entrando na variante propriamente dita. É uma via diferente de tudo o que você já escalou! Vale a pena!

O nome da via “A Laçada do Pirocão” também é explicado nos parágrafos adiante.

A seguir detalho as investidas realizadas para a conquista desta via:

26ª investida em 30/06/2019 (Domingo) – Eu, Cover e o Camarão (Anderson Bulgacov) conquistamos quase que em sua totalidade essa variante, iniciando ela a partir da parada intermediária entre a P3 e P4 da via “Dez Anos Depois”. Esta variante também usa a primeira chapa após a citada parada intermediária, e no lugar de seguir a esquerda para a transversal da “Dez Anos Depois”, segue reto pelo mato até um bloco onde foi instalada uma parada dupla, a 30m daquela parada intermediária. Nesse dia desviamos esse bloco pela direita e seguimos pelo mato até a base de uma outra parede mais acima, imediatamente abaixo do Pirocão, que é bem parecida com o bloco do setor Capitais no Anhangava. Nessa parede mais acima conquistamos mais 1 esticão de 27m com uma parada dupla, com lances bem delicados, mas a furadeira já estava com as baterias no fim. Após essa parada, seguimos pelo mato por uns 20 metros até chegar embaixo do Pirocão, em um local similar a uma gruta/caverninha. Fizemos um lance sem proteção para chegar ao platô na base do Pirocão. Nesse dia estava ventando muito e tentamos escalar com a técnica de chaminé os 7 ou 8 metros do Pirocão, mas chegando ao final dele tinha que abrir em “tesoura”, pois as paredes se afastavam demais, e como havia muitos cristais, ficou meio perigoso. Desescalamos e estávamos quase desistindo quando meu irmão disse: “Vou tentar laçar o Pirocão!”. Dito e feito! Talvez somente por conta da ventania, ele conseguiu jogar um bolo de corda para cima e o vento empurrou esse bolo de corda e ele caiu por trás do Pirocão, sendo que conseguimos pegar a outra ponta e fazer uma espécie de “Top Rope / Corda de cima” com a corda passando sobre o Pirocão. Com isso conseguimos fazer a conquista dele, e descemos com “prussiks” por 1 lado dele enquanto no outro lado do Pirocão 1 de nós ficava segurando a outra ponta da corda, para não ralar tanto a corda. Nesse dia, mesmo sem bater chapas no final da via, conquistamos a denominada por nós de “Agulha Tucum”, ou também apelidada de “Pirocão do Tucum”.

27ª investida em 17/08/2019 (Sábado) – Eu e Maicon pretendíamos finalizar a conquista nesse dia. Já no início da variante, onde havíamos na invertida anterior contornado um bloco pela direita e pelo mato, visualizei uma possível linha subindo um bloco que possui uma laca que parece que vai sair da pedra. Ficou um lance bem legal e diferente, e de lá seguimos pela trilha por uns 20m até o próximo trecho de escalada, lá naquele setor tipo as Capitais do Anhangava. Mais acima, batemos 1 chapa naquele lance exposto para chegar ao platô na base do Pirocão, e batemos mais 1 chapa nesse platô, e dentro da chaminé para escalar o Pirocão batemos 2 chapas mais uma parada dupla no topo do Pirocão. De cima do Pirocão eu fiz a transposição para o bloco de trás (em direção ao cume), com 1 chapa na parede de trás, lance que pode ser feito em tesoura até alcançar uma agarra no bloco de trás, ou fazendo um lance mais bolderistico para finalizar e subir no bloco de trás. Novamente as baterias estavam acabando, desta vez de forma estranha, com poucos furos feitos, portanto no topo desse bloco ficou somente 1 chapa, onde seria a parada final, mas ainda tinha um trecho complicado e exposto para sair desse bloco e chegar na região do cume, que são separados por uma grande fenda, o que ficou para ser resolvido em uma próxima investida.

28ª investida em 29/09/2019 (Domingo) – Era a última investida do projeto, que na verdade foi para fazer alguns ajustes somente em 2 vias, pois o objetivo maior era ir para escalar e se “divertir”, e não mais somente “trabalhar” em conquistas de novas vias. Eu e mais um grupo de amigos, incluindo Cover, Silvio Calimã, Canidia, Daros e Juliano Santos, acessamos a região acima do final dessa via, pelo cume, onde a turma ficou fazendo um lanche. Eu com a ajuda do Silvio me encordoei e acessei um bloco, nesse mesmo lado do cume, batendo uma parada dupla com uma chapa PinGo e uma chapa Simples (NÃO USAR PARA RAPEL- somente como parada no final dessa via). Desci mais um pouco, já sobre uma grande fenda que separa a região do cume do grande bloco isolado, onde havia iniciado a instalação de uma parada dupla, e bati 1 PinGo para transpor para o bloco isolado. Após essa transposição, bati mais 1 PinGo já em uma aresta desse grande bloco e de lá fui até onde tinha iniciado uma parada dupla e não tinha mais bateria na vez anterior. Concluí a parada dupla e retornei para onde a turma lanchava.

PROJETO TUCUM 20 ANOS

Assim concluímos o nosso projeto, com 15 vias de escalada por nós conquistadas, as quais estão equipadas com proteções fixas – Chapeletas BONIER em aço INOX, inclusive os chumbadores, e foram conquistas “de baixo”, exceto a variante “Lacas do Socorro”, totalizando 1.672m. Todas estas 15 vias podem ser escaladas com somente 1 corda de 60m e para rapel estão equipadas com paradas duplas a no máximo 30 metros.

Atualmente  o Tucum possui 18 vias de escalada em rocha, de 4º ao 7º grau, sendo 14 vias com tamanhos que variam entre 55 a 366m, e 4 variantes entre 28 a 134m, totalizando 2.225m de escaladas (metragem SEM considerar a via escalada em sólo “Sonata ao Luar”, conquistada pelo Dubois, registrada no Guia de Escaladas do Tucum. Para as vias que não fazem parte de nosso projeto, ver nos croquis os detalhes quanto ao tamanho da corda e possibilidade ou não de rapel e outros detalhes.

Todas as vias do setor proporcionam um belo visual para o PICO PARANÁ e estão encravadas em um lindo vale entre os Picos Tucum e Itapiroca!

Quantidade de participações nas 28 investidas:

Tavinho 25x; Cover 16x; Canidia 12x; Maicon 7x; Silvio 2x; Josman, Camarão, Juliano e Daros 1x.

Agradecimentos:

À minha amada esposa, Fernanda Olavo, pela paciência e compreensão em minhas ausências, especialmente durante a gravidez e após o nascimento da nossa filha Lolô, nome de uma das vias do “Setor das Meninas”.

Ao meu irmão Giancarlo Castanharo (Cover) pela parceria desde crianças pelas montanhas, quando iniciamos no Montanhismo em 1989 levados pelo nosso pai José Altair Castanharo, o qual foi junto comigo mentor do “Projeto Tucum 20 anos” e participou de diversas investidas para as conquistas.

Ao parceiro Ednilson Feola (Canidia) pela parceria na grande maioria das investidas, desde o primeiro reconhecimento aos setores, abertura da trilha e conquista de diversas vias.

Ao escalador Maicon Kaeber, que participou de algumas conquistas já ao final do projeto, e também aos escaladores Silvio Calimã, Anderson Bulgacov (Camarão) e Josman De Marchi Alves pela parceria nas conquistas de algumas vias.

Guia de Escalada em Rocha – Pico Tucum – 1ª Edição/2019 (clique aqui para acessá-lo).

Julho de 2020.

Texto: Gustavo Castanharo “Tavinho”

 

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