Diga-me como andas, e te direi quem és

Por Andrey Romaniuk

Há quase um ano deixei para trás a cidade que nasci e amava, Curitiba, por considerar que tomou um rumo decadente, como qualquer outra grande metrópole “desenvolvida”. Lá, eu pedalava 10km até o trabalho todos os dias, mais 10km para voltar pra casa (em torno de 30min cada trecho). Corria riscos diários de acidentes, roubos e assaltos, e sofria de outros fatores indiretos como stress, alto custo de vida, etc.

Por um acaso do destino (ou não), acabei vindo morar em Prudentópolis, uma cidade muito mais pacata, onde o custo de vida é relativamente barato, o trânsito é tranqüilo, a criminalidade muito baixa, e tudo fica “mais perto” (com exceção das áreas rurais). Aqui encontrei uma casa “fora da cidade”, e mesmo assim continuei indo trabalhar de bike, apesar da estranheza dos colegas, talvez pela bicicleta ser um “meio de transporte de colono”, e especialmente por considerarem minha moradia muito longe do centro da cidade. (apenas 3km / 10 minutos de pedal).

Então, comecei a refletir e notar alguns paradoxos intrigantes. Em uma cidade pequena muitas pessoas moram super perto do trabalho, algumas vezes menos de 1km, porém seu meio de locomoção continua sendo o automóvel/moto. Este trajeto que poderia ser feito de bicicleta (ou mesmo caminhando!), não possui grandes desníveis (subidas) que dificultam o uso de um transporte não motorizado. O clima daqui não é tão chuvoso como o de Curitiba, para usar aquela velha desculpa de chegar molhado no trabalho. Mas então, depois de um dia inteiro de trabalho, algumas pessoas fazem o impensável… Após voltar para casa (de carro) no fim do dia, elas saem novamente “dar umas voltas” na praça, A PÉ OU DE BICICLETA!

Claro que existem os grandes devotos da poluição sonora, atmosférica (e visual) que não abrem mão de seu “símbolo de status” e precisam desfilar pra lá e pra cá com seus possantes (financiados em infindáveis parcelas) no grande “Bobódromo” da cidade (a avenida principal) no fim do dia.

Tudo isso é muito cômico (se não fosse trágico), e relembra em minha mente a cultura brasileira de enxergar a bike apenas como um meio de lazer, ou de transporte para pessoas mais pobres. Também me trás a tona as diversas desculpas que as pessoas usam em Curitiba, ou em qualquer outra cidade grande para esquivar-se do uso de um meio alternativo de transporte, eficaz, saudável e não poluente, seja ele a pé, bicicleta, patinete, skate, etc..

E assim, o mundo continua em seu declínio petrolífero, dos cafundós das pequenas cidades do interior, até as grandes metrópoles “desenvolvidas”.

Gostaria muito de saber as desculpas da população Prudentopolitana a respeito disso, mesmo sabendo que talvez elas nem existam.

Pois, como diz o ditado…

“Quem quer algo encontra um meio, quem não quer, uma desculpa.”

Mais uma manhã de bike rumo ao trabalho em Curitiba…
(detalhe para o termômetro à esquerda 11ºC)

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2 respostas para Diga-me como andas, e te direi quem és

  1. bere disse:

    Grande Andrey!!!! Com uma visão tão ampliada num mundo e num momento dr valores tão distorcidos….usufruindo pleno aquilo que a ti pertence….

  2. Rodrigo Genja disse:

    Poderia também enriquecer o conteúdo com exemplos de pessoas, lugares e movimentos em prol da bicicleta! Nem precisa ir muito longe, no BR mesmo temos exemplos muito legais, e divulgando o fato de que mais gente, grupos grandes, estão se movimentando pela bike, reforça positivamente a idéia de que a mobilidade urbana sustentavel não é uma utopia mas sim uma condição necessária para o avanço das cidades e da sociedade como um todo! =D

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