O Montanhismo como Filosofia

Por Andrey Romaniuk

Quem já não ouviu a famosa pergunta, ou mesmo se indagou: Por que subir Montanhas?

Acredito que muitos indivíduos (praticantes do Montanhismo ou não) tenham sua resposta singular, ou ao menos estejam em busca dela. Outros nem mesmo se importam com isso.

Pessoalmente, como praticante desta atividade, percebo que apesar de já ter algumas respostas próprias, ainda continuo minha busca. E nesta busca, alguns acontecimentos nos últimos anos me esclareceram muito sobre o que se trata do Montanhismo como Filosofia, para mim.

Será que praticar o Montanhismo como Filosofia seria pensar em Montanha 24 horas por dia? Seria largar tudo e dedicar-se somente ao Montanhismo, ou mesmo tirar seu sustento desta atividade? Seria escalar as Montanhas mais altas do planeta? Ou seria escalar as vias mais difíceis e os graus mais altos? Talvez “ser o primeiro”?

Talvez…

Estas podem ser respostas que satisfazem muitos montanhistas, mas não completam a minha busca pessoal.

Traçando um paralelo com diversas artes marciais do oriente, percebi que assim como a luta ou o combate corporal, a escalada em si não é um fim, mas um meio. Um meio onde é trabalhado a respiração, a concentração, a flexibilidade, o controle da ansiedade, o domínio do medo, a consciência corporal, dentre outros. E através deste conjunto de aspectos realiza a formação do indivíduo como uma melhor pessoa, conscientizando-o sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor, trabalhando princípios morais e éticos, tanto dentro como fora do Montanhismo, em sua vida cotidiana.

Filosofia significa “amor à sabedoria”; É o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais, à mente e à linguagem; E o filósofo, por sua vez, seria aquele que busca a sabedoria, deseja saber; Vivenciando, estudando, questionando…

Então por que mesmo subir Montanhas?

Tão existencial quanto às três perguntas “De onde vim?”, “Quem sou eu?”, “Para onde vou?”, não existem respostas únicas e consensuais para elas. Cada indivíduo buscará uma resposta própria à sua maneira, e que algumas vezes fará sentido tão só para si mesmo.

O Montanhismo como Filosofia deve se tratar desta eterna busca, que me mantém praticando, onde encontro respostas que contemplam diversas outras questões, mas não a essencial. Pois talvez as indagações essenciais nunca devam ser respondidas plenamente… servem apenas para continuarmos buscando.

O Montanhismo como Filosofia

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6 Responses to O Montanhismo como Filosofia

  1. blogdodubois disse:

    Me parece, Andrey, que a principal função da filosofia não é exatamente oferecer respostas, mas sim nos ajudar a fazer as perguntas certas. Me parece, portanto, que se o montanhismo te ajudar a se perguntar sobre o que é essencial a você, ou seja, aquilo que é o seu ser, então certamente o montanhismo adquire um valor filosófico.
    Abraço, bom texto, Du Bois

  2. Careli disse:

    Muito bacana a reflexão. Acho que muitas vezes esperamos demais a resposta final, quando o mais bacana é o caminho entre a pergunta e a resposta. Acho que isso tem muito a ver com a escalada! O caminho, a via, a vivência são a parte realmente boa!

  3. ronielfonseca disse:

    gosto de tudo o que engloba a vivência da escalada, o acordar cedinho, a excitação do que esta por vir, o preparar da mochila, separar equipos pensando em tudo oq pode ser feito com eles, gosto de pensar sobre qual via vou escalar, seus perigos, seu visual sempre incrivel, estar com os amigos, testar limites, expandir limites, passar aquele medo saudável, exercitar corpo, mente e espírito, o fim do dia, a trilha, mate porro y todos los démas, o bivaque, o vinho porro e todos los démas, a sensação da missão cumprida, a sensação de ter que voltar pra terminar oq não foi conseguido, é uma doideira tudo isso! sei la, subo pq subo!
    a foda-se

  4. Beto disse:

    Sempre melhorando as perguntas! Parabéns pelo texto. SfT

  5. Taylor disse:

    É realmente algo muito doido e viciante, é como uma “matrix” quando tenho que viver muito tempo sem conseguir ir à montanha com os amigos, é como se tivéssem me arrancando um braço, entorpecendo minha mente com coisas importantes que na verdade não me importam, porque na montanha a vida é pura, plena e justa…

  6. Camila Armas disse:

    Estar nas montanhas nos possibilita ver um horizonte mais longe, novas e belas paisagens, novos desafios. E ao mesmo tempo, também posso vislumbrar um novo horizonte dentro de mim mesma, como se a montanha pudesse me mostrar o meu lado mais humano, mais sensível, mais determinado… E as montanhas tem esse papel de nos fazer sempre se questionar sobre a nossa própria condição, nos fazem sair do lugar comum, do campo das certezas, nos coloca sempre diante do incerto, da inquietude da Natureza… Valeu por compartilhar suas reflexões.

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