Novos costumes, novos adeptos e mais lixo

Por Claudio André Jara Maia – “Xina”

Quando iniciei na prática de escalada e montanhismo era um hábito comum aos adeptos, freqüentadores, e excursionistas carregarem consigo sacos de lixo vazios, com a pretensão única de manterem seus lugares favoritos limpos. Caminhava-se sempre prestando atenção ao mínimo vestígio e se coletava, com a maior presteza, o lixo deixado por alguém menos informado ou sem a devida e tão esperada consciência. Alguns dias, ainda recordo, descíamos o Morro do Anhangava com dois sacos de lixo plenos – um absurdo, porém sentíamos necessidade de compensar os impactos que trazíamos ao local com nossa prática esportiva. Era de costume, quando trazia alguém para montanha, ensinar o “ABC do mínimo impacto” e fiscalizar as ações dos colegas, inclusive nos cursos básicos de escalada tal assunto era parte fundamental do programa. Mutirões eram organizados de forma freqüente e voluntária, sem caráter e interesse promocional de instituições pretensiosas.

De alguns anos pra cá, percebe-se uma mudança na filosofia, acompanhada de uma crescente evolução no esporte o que nos traz, ou deveria trazer, uma nova consciência. É muito comum encontrar, mesmo em lugares pouco visitados e de difícil acesso (bases, platôs e trilhas), restos de esparadrapos (considerado lixo hospitalar), bitucas de cigarro, lacres de embalagens, papéis de bala, tampas de garrafa pet e uma infinidade de outros objetos abandonados única e exclusivamente por “escaladores”, se assim podemos denominar. Sem esquecer-se das necessidades fisiológicas, feitas em qualquer local e sem o menor cuidado de enterrá-las. Fatos como esses estão se tornando freqüentes por quase todos os locais que exista alguma prática esportiva relacionada à ambientes naturais.

Será que o trabalho de levar embora seu próprio lixo ou enterrar suas próprias fezes fere algum tipo de moral ou atinge o ego de nossos novos amigos? Será que o foco da escalada é apenas de mandar o maior grau de dificuldade em menor tempo possível sem se importar com o ambiente em comum de outros esportistas? Será que minha cadena ou minha “conquista” pessoal vale mais que o galho daquela árvore que está lá a pelo menos uns 100 anos?

Lembrem-se:
Estamos todos na era da informação, devemos nos adequar ao ambiente e não o contrário.
Mantenha os locais em igual ou melhor estado do que o encontrou.
Se encontrar qualquer tipo de lixo, mesmo não sendo o seu, traga-o embora.
Esparadrapo e bituca de cigarro não pertencem ao local, após seu uso recolha-os e traga de volta.
Participe e seja voluntário em mutirões que visam a recuperar e manter áreas degradadas.

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5 respostas para Novos costumes, novos adeptos e mais lixo

  1. Marco Vignoli disse:

    É isso aí velho amigo. Educação é a base de tudo. Inclusive do montanhismo!

  2. elcio disse:

    Muito legal o texto, é sempre bom lembrar que a montanha é como a nossa casa.
    Pô bicho fui perguntar pro Andrey quem era esse tal de Claudio André, não sabia que era você xina!!
    Abraço!!

  3. Taylor disse:

    Mas é um desiformado mesmo kkkkkkkkkkk

  4. JURANDIR disse:

    CONSCIÊNCIA É TUDO,MAS UNS INFELIZMENTE NÃO A TÊM,FLW

  5. Mudo disse:

    Muito bem dito, é isso mesmo meu camarada.

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