O fim da picada

Por Andrey Romaniuk

      Certa noite, sentado ao relento saboreando uma deliciosa refeição após uma empreitada homérica, começo a observar milhares de espécimes de mosquitos e mariposas sobrevoando minha cabeça ao redor de minha lanterna. Hordas de formigas e outros seres equipados com armaduras confrontam-se em uma batalha no solo para conseguir um grão de arroz ou pedacinho de macarrão que caíram do meu prato. Começo então a refletir sobre a explosão de vida que existe neste planeta, e quantos seres vivos eu estava observando somente naquele simples metro quadrado em que eu me encontrava sentado. Isso sem mencionar as outras formas de vida invisíveis aos meus olhos. Bactérias, fungos, plantas, e milhares de insetos, alguns deles vivendo somente algumas horas, em sociedades organizadas, limpas e eficientes, outros por conta própria. Penso na quantidade de diferentes espécies desta família, e no tempo em que estas criaturas já habitam a Terra, e percebo a enorme tenacidade destes seres durante os percalços já passados neste planeta. Vejo como somos meros “calouros” neste meio, e novamente uma questão que freqüentemente ronda meus pensamentos me vem à mente: a pretensão do Homem em achar que o mundo é dele.

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      Desde que o Homem habita este planeta tenta se livrar destes pequenos seres, seja para evitar uma pequena picada, ou manter sua plantação inteira. O que poucos percebem é que os insetos somente tornam-se “pragas” a partir do momento em que seu ambiente é desequilibrado pelo Homem. E isto me traz outra questão a mente: teria o Homem também se tornado uma ”praga” a outros seres?

 

      Muitas espécies de animais já foram extintas pela ambição do ser humano em satisfazer suas vaidades. Meros souvenires como peles, penas, e marfim. Outras pela ambição da posse, no desmatamento e mineração. Mas os pequenos animaizinhos que o homem deseja aniquilar por vontade real de se ver livre são imbatíveis. Vejo a ironia de como um ser tão “inteligente e evoluído” não consegue extinguir uma espécie de inseto da mesma maneira que consegue com outros animais. Pode parecer um paradoxo afirmar isto, já que para nós é relativamente fácil tirar a vida de um mosquito, mas, na realidade, os insetos são mestres na arte da sobrevivência. Eles estão aqui há milhares de anos, e continuam levando sua vida simples, de organização complexa, até os tempos de hoje. Comeram os dinossauros, e em pouco tempo, comerão os humanos. Sua sorte é que não precisarão esperar tanto tempo, já que o Homo Sapiens está destruindo o ambiente em que vive e a si mesmo mais eficazmente que o impacto de um enorme meteoro.

      Engulo o último grão de arroz do meu prato, apago a lanterna, e com meu corpo dolorido deitado ao solo olho para a maravilhosa imensidão negra acima de mim, ouvindo apenas o som da vida zunindo ao meu redor. “De quem é este mundo?”

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One Response to O fim da picada

  1. Miriam disse:

    Adorei a discussão.
    Um bom dia cheio de picadas!

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