Jararaca sem veneno

Por Andrey Romaniuk

      Nestes tempos estive escalando novamente fora do Paraná, para apreciar escaladas diferentes em arenito vermelho, e aproveitar a companhia de grandes amigos distantes.

      Praticamente tudo na viagem foi perfeito! Clima esplêndido, vias lindas e variadas, boa companhia. Mas… novamente houve algo que me incomodou bastante, pela segunda vez em que visito o local. Uma das, senão a mais linda via do local continua ostentando resquícios de outros tempos da escalada, artifícios não mais necessários na atualidade, ou melhor, poluída. Chapeletas ao lado de uma fenda perfeita! O mais triste foi saber que alguns escaladores ainda vivem em outros tempos, não aceitando mudanças que seriam ricas para a escalada local.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      Historicamente, a evolução na escalada veio através de mudanças, acima de tudo na ética. Da escalada totalmente artificial, para a escalada em livre; de cavar agarras, para manter a rocha em seu estado natural; da grampeação de fendas, para a utilização de proteções móveis. Independente dos princípios locais, existe uma ética mundial da escalada, com muitos pontos em comum e que possui premissas possíveis de serem aplicadas em qualquer pico de escalada. Com a aplicação desta ética atual, se inicia uma mudança no pensamento e comportamento dos escaladores locais, pois o limite é empurrado para além da antiga “zona de conforto”, e como conseqüência temos a evolução do esporte! Claro que uma mudança deve procurar respeitar a história, não deixando-a ser apagada.

      Felizmente existem escaladores mais ousados, sempre poucos ou minoria, que possuem esta visão de futuro e evolução. Estas pessoas devem se fazer ouvir com mais força, insistindo na aplicação da ética atual, e a elas lhes grito:
      -“Envenenem a Jararaca!”

Andrey Romaniuk na via Irish Jararaca / Cuscuzeiro – SP

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12 Responses to Jararaca sem veneno

  1. Taylor disse:

    Ahhh tá loco, uma fenda perfeita dessas com chapeleta, é um crime!!! Recomendo a leitura do “Manifesto da Escalada Natural” de André Ilha, é só procurar na net que acha facinho.
    Abrass

  2. davi marski disse:

    temos que considerar que a via foi aberta em 1996, uma época na qual o cenário brasileiro para importação ou mesmo disponibilidade de equipamento para proteção móvel era muito diferente do atual… De qualquer forma, qualquer escalador “antenado” há de concordar que atualmente é totalmente desnecessária a presença de quaisquer chapeletas ao lado de fendas passíveis de proteção. Nem é preciso ler o texto do André Ilha (ou melhor, vale a pena lê-lo !), pois o texto “To Bolt or not to be” já esclarece tudo.

    Esse é o tipo de via no qual quando mais cedo ou mais tarde a proteção fixa não estiver mais segura, não merece ser retrogrampeada (ao exemplo da situação atual da “V de Vingança”, no Baú).

    Creio que o Tonto não se oporia à retirada das tais chapeletas… mas é claro, isso teria que ser conversado com ele (e/ou com o “meninão”).

    Boas Escaladas !

  3. Taylor disse:

    Primeiramente quero me retratar no que tange a frase do primeiro comentário: “Ahhh tá loco, uma fenda perfeita dessas com chapeleta, é um crime!!!”, o conteúdo do comentário referente à minha opinião é válido mas a forma com que expus isto não foi nada elegante, desculpem-me, mas vamos conversar mais à respeito…
    Concordo com seu ponto de vista, realmente deve-se ter o aval do conquistador senão a coisa vira uma bagunça, há de se levar em consideração a época de sua abertura e condições, mas o esporte evoliu e continuará evoluindo, no panorama atual a retirada das referidas chapeletas é um fato a ser levado em consideração, pois isto “oportunizaria” à novos escaladores terem a experiência da escalada em móvel(sem possibilidade de se ter uma chapa ao lado), geralmente as vias em móvel têm “um algo a mais”, são escaladas onde não basta apenas o escalador trabalhar o físico, mas o seu psicológico tem que evoluir na mesma proporção de suas aspirações e às vezes até mais, há de ser trabalhar vias como essa sempre objetivando se preparar para vias mais difíceis e comprometidas, onde a incerteza do sucesso é uma constante, e este desafio para consigo mesmo junto à essas vias é o que torna tão agradável a própria superação de limites.
    Viajei um pouco no tema rss
    Abraços à todos e vamos nos comprometer com nossos objetivos! 🙂

  4. Gustavo disse:

    Concordo com o fator tempo na conquista, mas acho que morar no brasil também é um ponto importante a se considerar nestes casos. É fato que não dispomos de equipamentos acessíveis, e que a grande maioria das pessoas tem o equipo mais “básico”, os demais (na grande maioria) tem equipo móvel pois vem comprando ao longo do tempo.

    Nesse assunto, também existe a velha história em baixar o grau psicológico da via, para estar ao nível dos escaladores. Esse assunto já é velho e ja foi discutido milhares de vezes em listas, sites e blogs.

    Acho que importante é ter a cultura e espalhar mais o conhecimento de “boas práticas” e ética cada vez mais trazendo mais informação e educação as pessoas, só assim vamos ter bons resultados.

    E cada um faz sua parte, afinal quanto mais velho é a macacada mais esperto fica o bando! hehehe

    Abraço

  5. Taylor disse:

    Desculpe-me, mas esse fato de que não dispomos de equipamentos acessíveis já não é bem assim, um jogo de nuts você encontra fácil nas lojas e friends também, quanto ao preço já estão bem mais em conta, tudo é uma questão de prioridade e como você disse “vem comprando ao longo do tempo”, o negócio é esse mesmo, adquirir aos poucos, os parças de escalada, cada qual consegue algo e une na hora de escalar junto.
    Uma coisa é fato, você conhecendo e gostando vai em busca do equipo que se adapte aos seus objetivos, é como montar um quebra-cabeças… só que na vertical.
    Abrass

  6. ToNTo disse:

    Olá Andrei e Taylor.
    Antes de mais nada, estou de cara com o artigo, primeiro porque vocês me conhecem, tem meu contato e teriam total liberdade de me escrever e “conversar” sobre o assunto. Ao invés de escrever um texto nesses termos e que eu vi por acaso.
    Segundo, que como está escrito, para quem não conhece a via, parece que há um montão de chapeletas ao lado de uma fenda perfeita… E não é bem assim. Essa é uma via de proteção mista, 25m, onde há 3 chapas. Não é uma esportiva que chapeletou uma fenda. Segundo, que não cita que a rocha lá e o arenito Botucatu, e que em alguns lugares pode não ser tão perfeita assim a sua qualidade, particularmente o trecho até a primeira chapa o arenito não é super bomber. Por toda a fenda ela é estreita, entram bem nuts pequenos em alguns lugares, mas a nao ser que você tenha micro TCUs, a proteção é toda feita em nuts, principalmente pequenos e alguns medios. Faltou ainda citar, que foi a primeira via aberta de baixo para cima no Cuscuzeiro, em 96, e a única que usa móvel até hoje lá no CCZR.
    Na conquista, eu bati 3 pitons, e quando coloquei a parada e fui descer tirei os pitons e coloquei as chapas. Achei justo isso, pois na conquista a Jararaca me deu veneno suficiente, e esses 3 pitons deram a paz de espírito pra seguir, só que não ia rolar deixar 3 pitons lá no arenito.
    Há também o caso de cara que subiu a via sem móvel, só com as 3 chapas, eu nunca fiz, acho que é um pouco veneno demais pra mim, e sugiro que na próxima ida lá vocês tentem essa envenenada na Jararaca e depois venham aqui escrever um post sobre isso.
    Resumo da ópera, é melhor conversar do que pedir na internet, ainda mais desse jeito:
    “Felizmente existem escaladores mais ousados, sempre poucos ou minoria, que possuem esta visão de futuro e evolução. Estas pessoas devem se fazer ouvir com mais força, insistindo na aplicação da ética atual, e a elas lhes grito:
    -“Envenenem a Jararaca!””
    Ainda mais “pedindo assim”, me conhecendo, e sem se dignar a mostrar o panorama completo da coisa antes de sair criticando publicamente acho que você vai ter que gritar muito, muito alto, pois sinceramente vendo esse seu artigo não me fez pensar nem um segundo sequer em tirar as chapas.
    O CUME, já veio comigo CONVERSAR sobre tirar essas chapas, e mesmo lá há gente contra e gente a favor, não é consenso.
    Se essas 3 chapas realmente estão incomodando muito, ao ponto de mesmo sem usá-las você não conseguir desfrutar da via, daquele diedro maravilhoso, a ponto de você só conseguir escrever o que escreveu da via, eu sugiro que vá procurar outra Jararaca mais venenosa em outro lugar.
    Pra mim nõa é uma questão de vida ou morte tirar ou não as chapas, mas quando conversei com o CUME, minha posição foi de manter, pelos 3 pitons que são parte da via original como já disse, e tambem um pouco pensando na galera, pois em toda região não há praticamente via em móvel. Muito novato em móvel da área acaba entrando na Irish, mas ela não é uma via colocações obvias e bomber. Não é a via ideal para ser sua primeira guiada em móvel… Mas já foi a primeira de muita gente. Complicado pra quem não tem experiencia, e inclusive propicia ao ziper de baixo pra cima. Assim, acho que é mais sensato, sob o meu ponto de vista, deixar as chapas, e usa quem quiser.
    Outra coisa que eu acho foda desse seu artigo, é que parece que eu não dou a mínima para a ética, que sou um MArnaut da vida que sai mandando chapa e que se foda o resto do mundo, e po não é bem assim. Sou entusiasta das vias em móvel, é meu estilo predileto, e desde que mudei aqui para o Itatiaia já abri 4 novas vias totalmente em móvel na região do Couto. Então acho que os ousadoscom visão de futuro e evolução, antes de sair gritando por aí deveriam ter um pouco mais de cuidado em apresentar um panorama completo da coisa, e não ficar gritando só “parte” da história.
    Na boa, tô de cara como o “como” vocês escreveram, e não com o “o que”.
    Buenas
    ToNTo

    • Olá Tonto,

      Fico muito triste em saber que não me fiz compreender da maneira que gostaria em meu texto. De maneira alguma desejei ofender ou desmerecer você e sua grande conquista que é este belo diedro, que por sinal considero a via mais bela do Cuscuzeiro! Lhe parabenizo pela bela linha! Em nenhum momento do texto citei seu nome, tampouco critiquei a maneira que a via foi aberta. Conheço a história da via, dos pitons e tudo mais, porém como falei, as chapas são “resquícios de outros tempos da escalada”. Na época foi o que você achou melhor, eram outros tempos, ética e pensamentos diferentes. Não condeno isso de maneira alguma!

      Quanto a polêmica retirada das chapas, não sou “local” do point, e não acredito que tenho o direito de brigar quanto a isso. O objetivo do texto foi tentar provocar os escaladores locais para que vejam uma ética diferente, que ocorre por exemplo aqui no Paraná. Sei que já tentaram conversar contigo sobre a via, e sei que muitos são da opinião “zona de conforto”, apoiando-se na velha bengala (“já que as chapas já estão lá, então deixa”). Pelo que sei, pessoas estas que raramente, ou nunca, entram na via. Sei também que existe uma minoria querendo empurrar os limites da ética e da escalada local, e que não arrancaram as chapas pela mesma ética, que também prega o respeito e o diálogo. O meu grito foi um “dá-lhe” ou o “kamon” (que por sinal eu não gosto) para estas pessoas discutirem mais a respeito.

      Bom… minhas impressões sobre as proteções móveis da via foram diferentes da sua, então vou discordar de ti nesse ponto. Eu, e também os colegas da trip achamos todas as colocações muito óbvias, a fenda é inteira contínua, TODAS proteções bombas. Não tive dúvida sobre nenhuma. Rola fazer a via inteira em artificial e não será um A3 nem A4. Acho que o zipper de stopper só se o cara foi meio perdido com as peças, pois mesmo sem queda algumas peças dão trabalho para saírem. Para chegar até a altura da primeira chapa também são proteções boas e várias opções, rola de nut pequeno a friend médio, rocha boa, e o lance é fácil, nem sendo necessário proteger dependendo do nível do escalador. Se o cara é novato, é possível fazer de top rope colocando as peças pra se habituar. Muitas vezes é assim que se “malha” algumas vias em móvel acima do seu nível de escalada. As possibilidades são inúmeras. Mas enfim… cada um tem a impressão de seu momento.

      Sobre o desafio de fazê-la somente com as três chapas seria algo interessante, porém me veio a cabeça se não seria mais interessante faze-la somente com três nuts?? Quem sabe…?! Esta é a magia da escalada em móvel!

      Novamente reitero que o objetivo do meu texto NUNCA foi criticá-lo, tampouco sua linda via, e peço sinceras desculpas se deu margens para este entendimento. O texto é somente meu, e o Taylor comentou como leitor, pois não conhece a via. Te respeito como escalador e Montanhista, e espero que possamos escalar juntos algumas Jararacas, Cascavéis, Caninanas, Abelhas, Formigas, Morcegos e até Andorinhas bem venenosas… lhe desejo ótimas escaladas!
      Grande Abraço!

  7. Taylor disse:

    Dae Tonto.
    Então como já disse no meu segundo post, acabei falando o que pensava mas da maneira errada, e agora me desculpo diretamente a você, até porque realmente nos conhecemos, e sei de seu entusiasmo sobre vias em móvel e com as montanhas, no entanto incialmente não sabia que a via era sua, mas enfim a “discussão” foi aberta e não é nenhum bicho de sete-cabeça falar a respeito na internet, vamos fazer bom uso disso, “bom uso” eu disse :), a exemplo da lista do hangon (site no qual você é o idealizador e do qual participo), site esse onde a galera debate assuntos de montanha, no qual às vezes têm-se discussões muito mais acaloradas, mas enfim têm muito coisa boa também, e não é com nenhum intuito de “se falar pelas costas” o fato de ter comentado aqui Tonto, simplesmnte leio o site e acabei me empolgando com o assunto. O problema de se falar na internet, é que quando as pessoas falam aqui não se olham nos olhos e é muito fácil cometer deslizes, então novamente se lhe ofendi ou à alguém com algum de meus comentários, sinceramente me desculpe. E como disse anteriormente: “realmente deve-se ter o aval do conquistador senão a coisa vira uma bagunça”, é um direito seu manter as chapas na via, como você mesmo expôs seus motivos, enfim pra mim o assunto está encerrado.
    Abrass e boas escaladas

  8. ToNTo disse:

    Beleza entao, mas na boa, do jeito que tá escrito tá dificil de nao ficar de cara. Até crime ja virou…
    Mas beleza no problem.
    Na real por mim nem é problema a chapa ficar ou sair. Se a galera de lá tivesse algo menos polemico e mais concensual sobre tirar ou não, pra mim o que escolherem ta bom. Nao tenho o menor apego em deixar ou tirar as chapas. Como já disse, é foda, neguinho lá polemiza, não chegam com uma posição/conclusao e vem me “pedir o voto de minerva” pra mim, se tira ou nao tira. Ai nao tem jeito, fica como está mesmo. E depois de um tempo leio aqui seu texto, que nao explica porra nenhuma, e desce a lenha. E ainda vou ver é de conhecido… Ta loco viu.
    O que não tá bom é ver isso colocado como foi feito aqui no site, que como eu disse, quem le aqui sem conhecer a via vai achar realmente que é um crime… Que metralhei ao lado da fenda, e ainda por cima sou turrao e insisto pra não tirarem as chapas!
    Como disse, pelo seu texto nao dá nem para entender que a via precisa de móvel. Parece que é uma esportiva ao lado da fenda.
    Buenas meus jovens, o que eu peço a vocês é que tenham um pouco mais de cuidado quando forem escrever algo assim.
    ToNTo

  9. Bruno Alberto disse:

    Olá Tonto, sou de São Carlos, já conversei contigo sobre a questão dessas chapas, e ao meu ver não há polemização, apenas a questão da evolução da escalada. Eu sou a favor da evolução, e conversando com muitos escaladores de fora que puderam escalar essa via, todos foram unânimes a respeito da remoção das chapas. Eu, inclusive tenho grande respeito pela Irish, pois foi onde ocorreu meu “batismo” na escalada em móvel, escalando com o Mateus Sanches, conhecido seu, que na época me disse: “Fala com o Tonto pra tirar essas chapas daí!!” Cheguei a falar com vc, mas ficou naquelas de “deixa elas lá”.

    Sou a favor da ética, mesmo porque tenho algumas conquistas que desejo serem respeitadas. Aprendi a escalar em móvel “de verdade” na Irish, nunca clipei nenhuma de suas 3 chapas, já caí em peças, já a equipei para outros guiarem com as peças colocadas, e concordaram comigo q as proteções são bomba.

    Aqui não há polêmica por causa dela, até porque poucos são os que entram na via, e a maioria dos que falam pra “deixar como está” não entram ou tampouco gostam de sua escalada. Não chega nem a ser assunto, algo que seria bem diferente em outras regiões.

    Sei da história da Irish e sei da atual evolução das conquistas do nosso arenito botucatu, muitas delas em móvel.

    Acho q devemos respeitar a evolução, que prima pela escalada limpa, e também a ética, ou seja, as chapas devem ser retiradas com a autorização do conquistador.

    A via é sua, a decisão também.

    Grande abraço!!

    Respeitosamente

    Beto

  10. usprodrigo disse:

    Corrigindo, no cuscuzeiro hoje há várias vias que usam móvel, são elas: Admirável bloco solto, Abalados, Caminho vermelho, estas mistas, e a retornabilis carioca, que é inteira em movel (acho que tem um piton caseiro batido no começo), a direita do paredão naqueles tetos (sai do chão). Da pra contar a via do cavalinho tambem que é um 4º até a metade do paredão, e o próprio paredão até a metade que a gente poe a galera pra treinar as colocações e desce ali do “Don king”…
    Quanto a tirar ou não as chapas, eu sou da turminha que só observa a discussão: Não cria polemica mas tambem nao escolhe lado.. vamos ver se eu entro mais na irish e tomo partido! rsrs

    Abraço!

  11. Tiago "Camuza" disse:

    Em que mundo estes caras vivem!!!
    Ou melhor em que época eles vivem.
    Abrasss e viva a evolução

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