Como um Nômade…

Por Andrey Romaniuk

      Há uns 6 meses ou mais comprei uma sapatilha. No total ela ficou comigo por no máximo 1 mês. Usei-a somente por 3 dias não consecutivos, pois após cada uso tive de enviá-la a fábrica por apresentar algum problema. A cada conserto, ficava esperando por mais de 1 mês com as mãos, ou melhor, pés abanando.

      Inconformado, escrevi esta carta à fábrica, esperando uma solução. Eis que recebo uma ligação resposta nada gentil do fabricante. No início achei que tratava-se de um péssimo funcionário do serviço de atendimento ao consumidor. Para minha surpresa, era o próprio dono/representante da marca que me falava. Faltou-lhe profissionalismo, pois interpretou a carta de uma maneira tão somente pessoal, alegando que eu o estava ameaçando, dentre outras. Não fosse sua atitude de desdenho para comigo consumidor eu nem escreveria aqui este episódio. Na verdade até escreveria, quem sabe com palavras e idéias bem diferentes, mais apreciativas.

      A lástima é que além do episódio negativo com meu colega citado na carta, já ouvi nas montanhas ecoando ao vento mesmo alguns “atletas patrocinados” reclamando do que usavam em seus pés. Deveria ter prestado mais atenção nas opiniões dos colegas. Falha minha. No final das contas, acabei recebendo com relutância da fábrica um novo kichute, desta vez vermelho, que talvez eu use vez ou outra, principalmente no período que enviar minha boa e velha porém inteira sapatilha para ressola, e também para não desperdiçar o caro valor por mim pago nessa história toda.

      Felizmente, o ocorrido inspira-me definitivamente a seguir a filosofia da marca, migrando assim para terras mais férteis. Fico triste em constatar que existem algumas empresas que não sabem cultivar nosso querido solo, nos levando a procurar alento em longínquas terras estrangeiras, onde os produtores tem muito mais respeito por quem consome sua safra. Que, por sinal, ainda continua com uma qualidade muito superior.

Um dos problemas apresentados

Outro dos problemas apresentados

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3 Responses to Como um Nômade…

  1. Marcelo San Gil disse:

    Realmente é uma lástima saber que os fabricantes nacionais não se interessam pela qualidade e sim, pela quantidade vendida dos seus produtos. Será que tais fabricantes não tem a consciência de que estão se queimando cada vez mais ao vender um produto caro, sem qualidade? Eu já cansei de dizer para os parceiros de escalada que, não mandarei mais sapatilhas para ressola aqui no Paraná, e nem pesmo comprarei esses produtos dessas “marcas paralelas”(não dá mais pra chamar de primeira linha), pois já estou de saco cheio de ficar esperando o produto chegar, com uma certa demora de dois meses e, ainda por cima, vir com outro defeito, isso se não for o mesmo defeito só um pouco camuflado…

    Cheguei à conclusão que o produto importado vale mais à pena pelo motivo de agüentar mais ressolas e não perder a forma, tem ótima qualidade de acabamento, além de fornecer um certo conforto para com os meus pés.

  2. Uma vez também insisti em comprar uma pochete para carregar uma filmadora numa escalada, a pochete descosturou e quase minha câmera despenca montanha abaixo. Aconteceu igualzinho a vc, comprei uma marca nacional com preço de importada, tomei na cabeça. Tenho visto muitos fabricantes brasileiros (não só de equipo para montanhismo) testando seus produtos diretamente no consumidor final, e a gente que se ferra. Meu conselho é não arriscar, vai comprar sapata, pague mais caro mas compre uma LaSportiva, vai comprar uma bota, compre uma Boreal, vai comprar cadeirinha, compre uma Petzl, uma Camp, infelizmente por causa desses acontecimentos fica difícil prestigiar as marcas nacionais. Tenho um texto no meu blog (um pouco desatualizado na questão do dólar) sobre esse problema, neste link: http://azimutantes.blogspot.com/2007/07/o-consumidor-montanhista.html

  3. Márcio Grochocki - Macarrão! disse:

    O Andrey não mencionou no texto, mas eu passei por um problema semelhante antes dele. Tão parecido que a morosidade e o produto em questão foram idênticos. Outros problemas se seguiram com outras empresas e seus respectivos produtos. A mais incrível foi a de alças de fitas para proteção em escalada em rocha de uma marca nacional. Comprei diversas a fim de substituir as minhas antigas (importadas), que já tinham mais de 10 anos, mas não apresentavam grandes sinais de desgaste, apesar do uso intenso. As nacionais, após 1 mês de uso, apresentaram sinais de desgaste tão grandes, que em alguns casos fui obrigado a descartá-las. Buscando um explicação do fabricante, recebi a objetiva e clara explicação: “Você deve estar usando as fitas em atrito com a rocha.” Depois de uma resposta tão elucidativa fui obrigados a abandoná-las e comprar outras, dessa vez importadas, daquelas que podem ser utilizadas em atrito com a rocha… Imagine a seqüência: Você escalando e CAI, LIXO de equipamento na segurança, se machuca ou até mesmo morre. Quem será o responsável???

    Um grande abraço a todos!!!

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