O sabor do medo é amargo

Por Andrey Romaniuk     

      Muitos escaladores acreditam conhecer o medo, mas raramente saborearam seu gosto. É o que acontece quando se passa realmente por uma situação peculiar, diria até surreal, em que as pernas tremem, os sentidos se desligam, a mente se entorpece, e o tempo passa devagar. Segundos tornam-se minutos, aquele lance ou cordada é superado sem a lembrança dos movimentos, como se tivesse sido solado, e uma queda de alguns metros em milésimos de segundo parece levar uma eternidade, em que se ouve até o som do vento em câmera lenta.medo.jpg

      É aí que se sente o gosto do medo… que vem à boca como uma bala sendo derretida, tão amarga como se houvesse mascado folhas de boldo. Um sabor que não sai cuspindo, e é seguido por uma sensação de realização plena. Como se a queda ou o obstáculo sobrepujado fossem muito maiores do que estávamos acostumados. Mesmo após um vôo a sensação não é de derrota por não ter passado o movimento, mas de satisfação pela proteção podre ou aquele friend suspeito tê-lo segurado. E por mais que pareça irreal, tudo isto é incrivelmente gerado pelas próprias substâncias do corpo!

Posso contar nos dedos de uma mão as vezes que saboreei algo desta maneira. Mas já perdi a conta de quantas vezes vi escaladores utilizando substancias para “aumentar o barato” ou por outras justificativas furadas quaisquer.

      Infelizmente, estas pobres pessoas ainda não descobriram todos os sabores que a escalada pode nos proporcionar.

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